Nós ficamos muito felizes com o nosso 22º Congresso realizado no último mês e gostaríamos de fazer aqui uma breve retrospectiva, porque já tivemos palestras, pessoas e eventos muito legais que vale a pena relembrar. Senta que lá vem história…
O nosso primeiro evento aconteceu em outubro de 2014, ainda nomeado Workshop, mas já tivemos nele a presença de um palestrante internacional renomado: o psicólogo Paul Rozin, da Universidade da Pensilvânia, com a palestra “A comida não irá até você, se você não comer”.

Nesta edição, nós apresentamos a proposta da abordagem Nutrição Comportamental (NC), suas missões clínica e de comunicação, as estratégias e os modelos envolvidos na abordagem, além de como utilizá-la em algumas situações clínicas. O evento contou ainda com um almoço de Mindful Eating — uma oportunidade prática de vivenciar a experiência junto a especialistas!
Em 2015, nomeamos nosso evento de Simpósio e tivemos a presença de Evelyn Tribole, criadora do modelo Comer Intuitivo! Nesta edição, contamos também com professores pioneiros no Brasil na área de comportamento alimentar: Sonia Philippi, Denise Giácomo, Sebastião Almeida e Rosa Wanda Diez-Garcia.

Houve também uma mesa que discutiu os desafios de trabalhar a mudança comportamental na infância, em situações de obesidade e no esporte. Além disso, realizamos mesas-redondas abordando temas como gastronomia e prazer influenciando o comportamento alimentar, comida e mídia (incluindo redes sociais), e também comida e cultura.
Em 2016, nosso II Simpósio teve como convidada internacional a nutricionista Andrea Lieberstein. Além de realizar a conferência principal do evento, também promovemos um treinamento separado para instrutores de Mindful Based-Eating Trainning (MB-EAT). Ainda dentro desta temática, recebemos Marcelo Demarzo, do Mente Aberta–UNIFESP, e outros especialistas nas áreas de mindfulness e mindful eating. Também discutimos, neste ano, temas como terapia cognitivo-comportamental e subjetividade alimentar.

Nosso terceiro Simpósio, em 2017, teve como convidados especiais a chef Janaína Rueda, falando sobre comida e vida; o pesquisador Bruno Gualano, da FMUSP, abordando a ciência sobre o corpo saudável; e a professora Rosana Proença, da UFSC, falando sobre o cenário da alimentação e da nutrição. Os painéis discutiram o que nutricionistas acreditam sobre alimentação saudável, o que precisam aprender para falar e gostar de comida e os desafios de ser um nutricionista que trabalha de forma diferente: com crianças, na clínica geral, com praticantes de atividade física e com pacientes no pré e pós-cirurgia bariátrica.

Em nosso 5º evento, realizado em 2018, trouxemos a nutricionista americana Rebecca Scritchfield, autora do livro Body Kindness. Alinhados à temática de amar, conectar e cuidar, promovemos discussões sobre nutrição gentil, felicidade, bondade e compaixão.

Também realizamos uma oficina sensorial no escuro, proporcionando uma experiência prática e reflexiva sobre a relação com a comida e os sentidos. Além disso, o evento contou com discussões sobre conceitos históricos e filosóficos da beleza e da imagem corporal, bem como sobre a atenção comportamental na doença renal crônica, no diabetes e nas doenças cardiovasculares. Outros temas abordados incluíram mitos e modismos sobre alimentação e nutrição e a discussão sobre a existência — ou não — do vício em comida.
Em 2019, assumimos oficialmente o formato de Congresso — e já não era sem tempo, não é? Com a temática geral “Comer e Nutrir: passado, presente e futuro”, promovemos reflexões sobre diferentes dimensões da alimentação e da nutrição.

No eixo dedicado ao passado, discutimos a história da alimentação, a lógica econômica do consumo de alimentos, questões relacionadas à agricultura e sustentabilidade, além da emergência da profissão de nutricionista e dos desafios da nossa atuação profissional. Para essas discussões, recebemos convidados como Ligia Amparo da UFBA, a historiadora Adriana Salay Leme, a antropóloga Paula Pinto e Silva e George Schneider, do Slow Food Brasil. Nas discussões voltadas ao presente, abordamos temas como corpo, comida e cultura na contemporaneidade, educação alimentar e nutricional, comida e identidade, psicologia social da comida e os significados do comer e do nutrir.
Já com foco no “futuro”, discutimos novas comidas e novas tecnologias, além de contarmos com a presença de Dan Waitzberg e Thomas Wong, que trouxeram importantes reflexões sobre microbiota e nutrigenômica.
Em 2020, fomos atravessados pela pandemia de COVID-19. Com um atraso de seis meses em relação ao planejamento original, conseguimos nos reorganizar e realizar nosso primeiro Congresso totalmente online (7º em 2021), o que permitiu a participação remota de pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo.

Antes do Congresso, oferecemos o curso pré-congresso “Imersão em Habilidades de Aconselhamento Nutricional e Entrevista Motivacional”, ministrado pela professora Dawn Clifford, da Universidade do Arizona. Ela também foi responsável pela conferência “O match perfeito: ciência e prática da abordagem da não dieta”.
Os painéis do Congresso abordaram temas centrais para a Nutrição Comportamental: Ciência do Comportamento Alimentar, em um momento especial em que o livro homônimo estava sendo lançado; Comer emocional e compulsão alimentar; Nutrição Comportamental na infância; Mundo da atividade física e dos esportes: desafios e possibilidades; Nutrição Comportamental nas doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs); Do comer transtornado aos transtornos alimentares. E, como o número sete é universalmente considerado um símbolo de espiritualidade, perfeição, sabedoria e busca pela verdade, encerramos com o painel “Como o setênio da Nutrição Comportamental ressignificou vidas de nutricionistas e pacientes”, celebrando os sete anos de construção, aprendizado e impacto da abordagem na prática profissional e na vida das pessoas.
Em 2022, realizamos a nossa 8ª edição, ainda em formato online. Foi um momento importante para refletirmos sobre os aprendizados deixados pela pandemia de COVID-19 e sobre os desafios que ela trouxe para a alimentação, a saúde e a sociedade. Discutimos estudos sobre mudanças no comportamento alimentar que emergiram nesse período, bem como alterações relacionadas à imagem corporal e aos transtornos alimentares. Também abordamos o retorno da fome e da insegurança alimentar como questões centrais no cenário brasileiro. Dentro dessa temática, tivemos a participação de iniciativas de grande impacto social, como as lideradas por Rodrigo Oliveira, chef do Mocotó, e David Hertz, da Gastromotiva, além da CUFA. Como Instituto, também contribuímos com essas ações por meio da destinação de parte do valor das inscrições e convidamos os nutricionistas a participarem desse movimento. Reforçamos, assim, que a abordagem da Nutrição Comportamental também se preocupa com o coletivo, com a justiça social e com o direito humano à alimentação.

Tivemos ainda a participação internacional de Evelyn Tribole, em uma edição que celebrou os 25 anos do Comer Intuitivo. Além disso, foram apresentados trabalhos de pesquisa nacionais que utilizaram esse modelo, demonstrando seu crescimento e relevância no contexto brasileiro. Outros painéis discutiram temas como neurociência do comportamento alimentar, comunicação não violenta e a diferença entre cuidado e controle nas práticas de saúde. Também realizamos simulações de atendimento, ilustrando na prática como os princípios e estratégias da Nutrição Comportamental podem ser aplicados no cuidado nutricional.
Em 2023 retornamos ao presencial num evento grandioso, ampliado em 2 salas simultâneas de palestras. Também discutimos o uso das principais estratégias da Nutrição Comportamental na prática clínica, incluindo Comer Intuitivo, Entrevista Motivacional e Mindful Eating. Ampliamos ainda o olhar sobre os contextos de aplicação da abordagem, discutindo não apenas as questões comportamentais da infância, mas também os desafios trazidos pelo cenário pós-pandêmico da obesidade. Abordamos as possibilidades da Nutrição Comportamental na atenção básica à saúde, no atendimento da população LGBTQIA+, de mulheres no climatério e na menopausa, de pessoas idosas e também de indivíduos com transtorno do espectro autista.

A pesquisadora internacional Eimear Dolan realizou a conferência “Como se dá o controle do peso corporal: os achados da fisiologia”, trazendo importantes reflexões sobre os mecanismos biológicos envolvidos na regulação do peso. Também promovemos discussões sobre a polêmica da restrição alimentar e sobre como atender pacientes que buscam emagrecimento a partir dos princípios da abordagem da Nutrição Comportamental. Tivemos ainda a parceria da AMBULIM e da ASTRALBR no painel “Transtornos Alimentares: conscientizar e prevenir como?”, uma vez que a data do evento coincidiu com o Dia Mundial dos Transtornos Alimentares. Por fim, temas relacionados à inovação na comunicação e ao gerenciamento do consultório também fizeram parte desta edição, reforçando nosso compromisso não apenas com o desenvolvimento técnico dos profissionais, mas também com os desafios contemporâneos da prática nutricional.
Chegamos a 2024, comemorando 10 anos de congresso e da abordagem NC! Lançando inclusive no congresso a 3ª edição de nosso livro “Nutrição Comportamental” – comemorativa de 10 anos! Nesta edição, começamos com workshops de aprofundamento em temáticas como compulsão alimentar, questões relacionadas ao corpo e à imagem corporal, além da orientação de crianças e seus pais.
Ao celebrarmos os 10 anos da Nutrição Comportamental, também promovemos reflexões sobre a evolução da abordagem ao longo dessa década. A evolução da ciência do mindfulness foi um dos destaques, assim como a apresentação de novas terapias contextuais que vêm ampliando as possibilidades de cuidado, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e a Terapia Dialética Comportamental (DBT).

O AMBULIM esteve mais uma vez presente como parceiro em um painel de atualização sobre transtornos alimentares. Tivemos ainda a honra de discutir ativismo gordo com Ericka Cuzziol, ampliando o debate sobre diversidade corporal, direitos e inclusão. A Nutrição Comportamental no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS) também ganhou espaço, assim como iniciativas sociais voltadas para o enfrentamento da fome, da insegurança alimentar e da vulnerabilidade social. Foram apresentados projetos como a Ação de Rua, que oferece alimentação para pessoas em situação de rua, e experiências compartilhadas por Nutri Favelado, evidenciando o potencial transformador da atuação nutricional em diferentes contextos sociais.
Também promovemos debates sobre como a Nutrição tem evoluído ao longo dos anos, seus desafios contemporâneos e possíveis crises, incluindo a necessidade de ampliar a reflexão sobre aspectos éticos da profissão. Para essa discussão, contamos com a participação de Fabiana Poltronieri, que trouxe importantes contribuições sobre ética, responsabilidade profissional e os rumos da Nutrição no cenário atual.
Em 2025, o Congresso NC trouxe um desafio que nos parecia cada vez mais necessário enfrentar: como integrar, de forma coerente e rigorosa, a Nutrição Comportamental com as discussões mais atuais sobre estilo de vida, comportamento e saúde ao longo do tempo? A resposta veio com a Medicina do Estilo de Vida e a edição foi marcada por uma articulação densa entre a abordagem comportamental que nos define e os horizontes da longevidade, da humanização do cuidado e da responsabilidade profissional.
Um dos grandes destaques da edição foi Bruno Colontoni, presidente do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, que trouxe em sua palestra uma reflexão sobre saúde, comportamento e longevidade de forma que nos convidou a ampliar o olhar sobre o que significa cuidar bem. Ao seu lado, dois parceiros importantes do Instituto Nutrição Comportamental marcaram presença com contribuições igualmente significativas: Daniel Martinez trouxe para o congresso uma reflexão sobre como estávamos, naquele momento, em termos de estilo de vida e comportamento, e Hamilton Roschel provocou o público com a pergunta “Medicina do Estilo de Vida é para nutricionista?”. A resposta, construída ao longo de sua fala, foi um convite à apropriação crítica e à ampliação do escopo de atuação da nossa profissão.

A edição de 2025 também teve um momento que não estava previsto oficialmente na programação, mas que se tornou um dos mais comentados e significativos. Um ator foi convidado para apresentar uma conferência fictícia sobre “Biopsiconutrogenia holística”, com toda a retórica, as promessas e a autoridade performática que costumam acompanhar discursos pseudocientíficos na área da saúde. A provocação era crítica e intencional, já que logo em seguida, André Bacchi subiu ao palco para discutir como práticas falsas afetam a saúde e a credibilidade profissional. O bloco foi leve na forma, mas sério no propósito e serviu como um alerta sobre a responsabilidade que temos como profissionais na comunicação e na escolha das práticas que defendemos.
Ao longo dos dois dias, também discutimos temas que atravessam o cotidiano clínico com força crescente: imagem corporal, mudança de comportamento alimentar, entrevista motivacional, comer intuitivo, Terapia Dialética Comportamental (DBT) para nutricionistas, obesidade, saúde mental feminina, sono, os desafios da Geração Z e a prática em contextos de doenças crônicas como diabetes, doença renal crônica e doenças cardiovasculares. Workshops de imersão completaram a programação com profundidade e prática.
Este ano (2026), o Congresso NC trouxe para o centro a psicologia e o comportamento. A edição se organizou em torno da interação entre a psique humana e a alimentação – um terreno que já nos é familiar, mas que nunca deixa de nos surpreender em sua complexidade. Transtornos alimentares, regulação emocional, trauma, DBT, neurociência e comunicação compuseram uma programação que exigiu presença e toda a atenção de quem estava na plateia.
O grande destaque internacional da edição foi a professora e pesquisadora polonesa Anna Britek-Matera, cuja vinda foi fruto da parceria duradoura do Instituto Nutrição Comportamental com o AMBULIM. Anna participou em dois momentos distintos: no primeiro dia, com uma palestra sobre Ortorexia Nervosa, trazendo o que isso pode ensinar aos profissionais sobre alimentação saudável e sobre os limites do que chamamos de “comer bem”; no segundo, com a conferência internacional sobre Psicodietética, apresentando uma disciplina obrigatória para a prática clínica do nutricionista polonês, que se traduz como tudo o que a Nutrição Comportamental tenta ensinar aos nutricionistas brasileiros, eletivamente, nos últimos 12 anos.

Um dos momentos mais marcantes da edição (e que ficará na memória afetiva de quem estava presente) foi o painel “Mulheres, comida, corpo e emoções”, com Manoela Figueiredo, Rogéria Taragano e Daiana Garbin. O encontro das três foi emocionante de uma forma difícil de descrever para quem não estava ali, e para quem não é mulher. Foi necessária presença.
Também mobilizou intensamente o público o bloco dedicado à obesidade, aos análogos injetáveis, ao GLP-1 e ao food noise. As palestras de Alessandra Job e César Moraes atraíram um interesse que extrapolou o planejado. O auditório lotou!!! Era visível que o público queria discutir o tema com profundidade ética e comportamental, longe dos simplismos que dominam boa parte do debate público.
A edição de 2026 também foi marcada pela presença expressiva de parcerias que nos acompanham com consistência: Instituto Primordial, NUPE-AMBULIM, NEPOCA, LNC FMRP-USP, GeComTA, SENAC e outros grupos ligados à pesquisa, à formação e à prática clínica. Esse tecido de colaborações é parte do que faz o Congresso NC ser o que é: não apenas um evento, mas um ponto de encontro de quem pensa e pratica a Nutrição Comportamental com seriedade.
Encerramos 2026 com a sensação renovada de que há muito por fazer – e muita gente boa disposta a fazê-lo junto com a gente.

