Você sabe o que é e como usar a Entrevista Motivacional na Nutrição?

A entrevista motivacional (EM) surgiu na década de 80, como uma alternativa para lidar com pacientes resistentes que apresentavam adições como álcool e outras drogas¹.

Na sequência ela foi ampliada para outros propósitos e tem mostrado evidências científicas no aumento à adesão de orientações alimentares: aumento do consumo de fibras, verduras e legumes, com consequente melhora dos parâmetros bioquímicos como colesterol sérico e glicemia.

Muitos estudos mostram benefícios especificamente no tratamento de doenças crônicas como transtornos alimentares, obesidade e diabetes.²

 

Mas o que essa entrevista tem a ver com motivação?

A EM é definida como uma técnica de aconselhamento em saúde, cujo principal objetivo é trazer à tona as motivações próprias da pessoa (daí a motivação) por meio de um estilo de comunicação colaborativa (daí a “entrevista”), de aceitação e compaixão do profissional de saúde, que sensibiliza e guia o indivíduo nas escolhas de comportamentos desejados.¹ ²

O termo entrevista aqui é usado, portanto, para descrever uma forma de atendimento, diferenciada em termos de estratégias de comunicação e de habilidades interpessoais do profissional de saúde.

Todos estes diferenciais buscam justamente evocar – estimular, trazer a consciência – a motivação chamada de intrínseca, que é aquela própria do indivíduo, regulada por prazer e satisfação de realizar/aprender/vivenciar algo.²

 

Como usar a entrevista motivacional na nutrição?

Para trabalhar a mudança de comportamento, é fundamental avaliar o nível de motivação das pessoas, pois mesmo que um paciente tenha procurado ajuda profissional, isso não garante que ele esteja motivado.

Muitos pacientes já chegam no consultório com uma alta carga de estresse, por apresentarem alguma doença com que estejam com dificuldade em lidar; ou porque foram encaminhados por outros profissionais ou “trazidos por alguém”, mas não estão dispostos a fazer mudanças; ou ainda há aqueles que já tentaram outras abordagens nutricionais sem sucesso.

Nesses casos, utilizar um protocolo tradicional com muitas questões, anamnese extensa e excesso de informação podem acabar gerando mais estresse e resistência.

Explorar e estimular a motivação do paciente deve ser mais uma das tarefas do nutricionista que trabalha com foco na Nutrição Comportamental.

 

Como lidar então?

A entrevista motivacional surge como uma ótima alternativa, pois nela o nutricionista busca ajudar o paciente a criar seus próprios planos para alcançar seus objetivos, substituindo uma postura de imposição por uma relação de colaboração.

Essa técnica é utilizada para estimular a mudança de comportamento, ajudando o indivíduo a lidar com a ambivalência, ou seja, os motivos para mudar ou permanecer como está.

Como etapas de um atendimento usado a EM, o espírito e estilo do profissional fazem toda diferença!

É preciso trabalhar com colaboração, respeito, compaixão e empatia. Habilidades de comunicação são fundamentais para usar perguntas abertas, resumo e reflexão com os pacientes sobre seu histórico, metas e objetivos.

Com tudo isto em conjunto, um trabalho de plano de ação pode ser realizado, partindo do que o paciente quer mudar, do que é importante pra ele e dependendo do seu nível de prontidão.

Nutricionista podem se beneficiar muito das estratégias da EM para um atendimento que minimiza resistência, acolhe, considera a motivação do outro e constrói planos de tratamento COM os pacientes, que promovem a autonomia.

 

Para saber mais:

  • Leia o capítulo específico de nosso livro Dunker et al. Fundamentos da Entrevista motivacional para Nutrição. IN: Alvarenga MS, Figueiredo M, Timerman F, Antonaccio CMA. Nutrição Comportamental. 2° ed. São Paulo: Manole, 2019. pp. 201-226.

E conheça nossos cursos:

 

  1. Miller WR, Rollnick S. Motivational interviewing: helping people 3.ed. New York: Guilford Press; 2013.
  2. Dunker KLL, Alvarenga MS, Timerman F, Teixeira PC, Vicente Jr C. Fundamentos da Entrevista motivacional para Nutrição. IN: Alvarenga MS, Figueiredo M, Timerman F, Antonaccio CMA. Nutrição Comportamental. 2° ed. São Paulo: Manole, 2019. p 201-226.

 

Por Nutrição Comportamental

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