Você já reparou que em muitas situações não conseguimos lembrar do que lemos pela manhã ou algumas horas antes? Mas em outros momentos conseguimos recitar de cor um texto que nos marcou e que lemos há anos?? OU uma frase que ouvimos e que não sai da nossa cabeça?

Tenho certeza que, assim como eu, você já deve ter passado por essa situação e isso tem uma explicação! O que acontece é que nos conectamos com um texto, uma história ou uma citação quando ela faz sentido para nós, quando ela nos toca de verdade, e isso vai muito além do fato de termos prestado atenção ou lido várias vezes, é uma conexão real com o que somos e acreditamos!

Na abordagem da Nutrição Comportamental, propomos desde sempre uma comunicação inclusiva, positiva, acolhedora, baseada em ciência, mas hoje quero trazer o foco em como fazer isso de uma forma gostosa e assertiva!

Certamente você sabe o impacto que uma boa mensagem pode ter na vida de qualquer pessoa e ainda mais no processo de mudança de comportamento de um paciente! Mas ao mesmo tempo sabemos o quão desafiador ter uma comunicação eficiente pode ser, traduzir tudo aquilo que queremos que o paciente saiba em uma linguagem gostosa, encantadora, que realmente chegue ao nosso receptor e que faça ele se apaixonar por suas palavras (e sejam elas escritas ou faladas, hein?)!

O que quero propor é que você possa pensar na forma como escreve, ou se comunica, com seus pacientes, amigos e familiares… que essa comunicação possa ser tão marcante quanto às frases que te tocam e que você carrega sempre com você. Que essa escrita seja baseada em conexão e que você possa ser ver nessa comunicação, que seus pacientes te reconheçam quando lerem um texto seu e saibam que foi você que o escreveu!

Essa é a chamada escrita afetiva, aquela que mostra quem somos e toca o outro que está na mesma sintonia que a gente, é uma espécie de ponte que nos liga, simplesmente dois seres humanos conectados por um assunto em comum, por um interesse genuíno em se fazer entender e em ser entendido e trazer aquele conteúdo para o seu dia a dia.

Não pense que é uma escrita muito difícil ou técnica, na verdade ela pode ser colocada em prática em vários tipos de textos e contextos, e a técnica de escrever faz parte sim, mas ela não é o foco! O foco é ser humano, ser genuíno, expor suas emoções, sua história é ter vontade de trazer o seu todo até o outro.

Vou te colocar alguns passos para facilitar o seu treino, para que cada vez mais você possa ter uma escrita afetiva, que seja verdadeira, genuína e que entregue todas as informações que você precisa que cheguem ao outro! Vamos lá?

5 passos para uma escrita afetiva

  1. Escreva para o outro: pense em quem vai ler o seu texto, se dispa de todos os seus títulos e anos de graduação e explique o que quer comunicar de forma simples, que possa ser entendido por uma pessoa leiga. Se possível peça para uma pessoa com o mesmo perfil do seu paciente (ou do seu público) ler e veja se ela entendeu o que você queria comunicar! Ou imagine você explicando um determinado assunto para a sua mãe, para o seu filho…, assim vai ser mais fácil usar as palavras adequadas (e não as técnicas e cientificas) e sair do “tequiniquês”!
  2. Fale de pessoa para pessoa: além de “estar” nutricionista você tem várias outras facetas! Reúna todas elas quando for escrever, por que certamente quem irá te ouvir também tem muitas facetas e vai se conectar muito mais facilmente se encontrar um texto que tenha toda a essência e a potência do autor! Experimente contar uma história para responder uma pergunta ou dar um exemplo, é muito mais gostoso de ouvir, você usa seu repertório de vida e consegue ser mais claro e tangível! Provavelmente seu paciente se reconhecer no seu texto, sem encantar com a história contada, e guardá-la, como algo que faz sentido para a vida dele!
  3. Se conecte com você: olhe para o que está por traz do seu desejo de ser nutricionista. O que te levou até onde você está hoje?
    Não pense em sua carreira acadêmica, do ponto de vista técnico, da faculdade que você frequentou, da pós-graduação que você fez, mas sim no que te faz escolher essa profissão todos os dias, o que te alegra todas as manhãs quando você acorda para ir trabalhar! Quanto mais claro isso for para você, mais você se aproxima da sua essência, do real motivo pelo qual você está ali e também te aproxima de quem está com você, te ouvindo, lendo as suas recomendações! É preciso se conectar consigo para se conectar com o outro!
  4. Seja natural: não tente colocar no texto algo que não seja genuíno, algo que você não é. Saia do piloto automático e seja você, seja fluido, leve, real, o leitor vai saber se aquele texto ou aquela fala é condizente com quem você é!
    Não tente ser engraçado se você não é, não tente ser formal se você não é… todos somos diferentes e a conexão só vai de fato acontecer se sairmos de nossa “casca” e trouxermos aquilo que realmente somos, nossa essência! Além disso você vai ver que fica muito mais fácil de escrever sendo quem somos!
  5. Seja vulnerável: ao escrever mostre quem você é, o que você gosta, os seus sonhos, os seus desejos, as suas fraquezas, a sua história de vida…, claro que a ideia não é ser literal e contar a sua história tintim por tintim, mas que as palavras possam traduzir a sua bagagem!

Essa “exposição” de quem você é vai abrir a porta que te conecta ao outro, porque afinal estamos falando de dois seres humanos em busca de conexão, ambos com suas fortalezas e fraquezas! Claro que essa exposição gera medo e normalmente criamos máscaras, rótulos e títulos que nos distanciam ainda mais do outro, mas se o fato é a busca por conexão, precisamos abrir nossas portas (e travas) internas para que o caminho esteja livre, para criar as pontes, lembra?! Se for preciso encare esse medo e seu conteúdo será muito mais genuíno e intenso se ele trouxer sua plenitude!

Depois de ler os passos acima, você pode fazer um exercício com algum texto que já tenha feito, pode começar um texto do zero ou avaliar a forma como conduz a sua consulta. Se desafie a implementá-los e a observar o efeito que essa mudança tem em você e no outro! Mudar a forma como escrevemos ou nos comunicamos só acontece praticando!

Também é importante ressaltar que trazer todos esses pontos e ter uma comunicação afetiva não significa que você tenha que deixar de dar orientações técnicas e explicar algumas questões cientificas, mas sim que você possa fazer isso de uma forma mais gentil, mais suave, olhando para você e para o outro, de forma que as portas da conexão estejam abertas e que aquela não seja mais uma orientação impessoal e irrelevante…

Eu trabalho com comunicação há mais de 18 anos e sei que se comunicar exige mais de uns do que de outros, mas uma coisa é fato… exige uma dose de coragem de todos, para nos expormos, para tocarmos o outro, para ter uma boa escuta, para recebermos do outro…

E eu desejo que você tenha coragem, dia após dia, que se necessário comece com pequenas doses, mas em busca da quantidade necessária para olhar para si, criar as pontes que nos expõe ao mundo e que nos levam ao outro!

Boa prática para você!

Especial por

Samantha Macedo

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