Os profissionais de saúde podem ajudar a prevenir problemas alimentares. Cada vez mais a comunicação não violenta (1) está sendo discutida, mostrando sua importância e as más consequências de uma fala sem cuidados. Como será que profissionais da área de saúde podem prevenir problemas com o corpo e com comida nos seus pacientes? O que nunca te falaram sobre isso? Uma simples frase mal colocada e interpretada pode ocasionar graves consequências na saúde e no tratamento do seu paciente.

Os profissionais de saúde e a prevenção dos problemas alimentares

 O papel do profissional de saúde na prevenção de problemas alimentares e com o corpo é muito relevante (2). Cuidar de suas crenças pessoais em relação ao seu corpo e a comida é fundamental, pois o profissional é um modelo na hora da consulta. Desta forma, qualquer comentário que possa transparecer algum tipo de preconceito ou crítica em relação ao corpo do paciente, pode ser um ponto principal da falha no sucesso do tratamento. Portanto, é necessário ser imparcial, ter uma escuta ativa em relação ao paciente e acolhê-lo no momento do atendimento, respeitando e levando em consideração o indivíduo como um todo. Assim, será possível fazer um bom vínculo.

Os profissionais de saúde e o paciente

E como estabelecer este vínculo? É fundamental ter uma escuta reflexiva e sem julgamento, com empatia e gentileza.  O conhecimento da entrevista motivacional poderá auxiliá-lo neste processo. Com esse vínculo estabelecido, sua consulta fluirá de uma forma mais desejada.

Chegamos então ao consultório do nutricionista. Após estabelecido o vínculo, está na hora de orientar o paciente a ter consciência, liberdade e confiança para escolher os alimentos, melhorando a sua relação com os mesmos, trabalhando as competências alimentares e os ensinamentos de comer com atenção plena. Vale ressaltar que o profissional é um maestro das informações passadas pelo paciente, e é importante saber o que focar dessas informações. 

Lembrar que seu paciente tem seus problemas pessoais, suas questões e sua história. Entenda as razões e o motivo para ele ter ido procurar você. Sobretudo, dê voz ao seu paciente, fale com ele sobre a alimentação  relacionada aos sinais internos de fome e saciedade, mostrando estratégias do comer intuitivo com uma permissão para escolher os alimentos – com consciência e gentileza. Seja parceiro do seu paciente, caminhe junto, evitando a postura de autoridade, com a finalidade de introduzir uma abordagem não dieta (3), sempre com base em dados de evidência, mostrando um novo caminho na relação do seu paciente com a comida.

Os profissionais de saúde e a prevenção dos problemas alimentares, sendo o nutricionista como agente de mudança. A prática de uma nutrição gentil com esse olhar cuidadoso fará toda diferença na relação com os alimentos e na qualidade de vida para os seus pacientes. Portanto, por meio de uma escuta ativa, sendo mediador na consulta e trazendo um comer prazeroso, possibilitará cuidar da melhora da relação com a comida. Como resultado, o atendimento nutricional deve trabalhar todo o processo, e não só o conteúdo nutricional. Certamente mudando o mindset prescritivo da consulta, possibilitará mais espaço para o aconselhamento nutricional, tirando assim o foco do prescrever para o foco de guiar o paciente. Enfim, com uma comunicação sem danos, poderá explicar sobre a relação saudável com comida e corpo. 

Assim, todos podem ser agentes de prevenção dos problemas com o corpo e com a comida dos seus pacientes, sendo nutricionista ou profissional da saúde,  vocês podem fazer a sua parte olhando o mundo do seu paciente de um jeito diferente, com empatia e gentileza. 

SEJA VOCÊ UM NUTRICIONISTA DIFERENTE. FAÇA A REAL DIFERENÇA NA VIDA DO SEU PACIENTE. SEJA VOCÊ UM AGENTE DE PREVENÇÃO.

Especial por

Erika Checon Romano – Nutricionista formada pela FSP-USP. Mestre em Saúde Pública pela FSP-USP. Especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina – EPM/UNIFESP. Membro do GENTA.

REFERENCIAS:

  1. Rosenberg, M. B. (2006). Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Editora Agora.
  2. Alvarenga MS, Dunker KLL, Philippi ST. Transtornos Alimentares e Nutrição – da prevenção ao tratamento. São Paulo: Manole, 2020.
  3. Clifford, D., Ozier, A., Bundros, J., Moore, J., Kreiser, A., & Morris, M. N. (2015). Impact of non-diet approaches on attitudes, behaviors, and health outcomes: A systematic review. Journal of nutrition education and behavior47(2), 143-155.

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