Uma consulta realizada com a abordagem de nutrição comportamental requer  escuta e a percepção dos sentimentos do outro. Isso explica a relação da inteligência emocional com a nutrição comportamental, que será discutida neste texto.

Para começar, quando alguém descobre que estamos estudando nutrição ou que somos nutricionistas não é difícil escutarmos uma história comovente ou um relato de como a alimentação transformou a vida dessa pessoa, sentimos uma alegria e um sentimento de compaixão. Além disso, ao final de tudo, também podemos escutar o famoso “faz uma dieta para mim? ”.

Para algumas pessoas a conversa termina nesse ponto, para outras pessoas essa é a deixa para a criação de empatia e conexão. Mas ao final das contas, você sabia que empatia e compaixão são habilidades que podem ser treinadas? Elas fazem parte da inteligência emocional, a qual se refere à capacidade de identificar e administrar as próprias emoções, bem como as emoções dos outros.

O inicio da relação da nutrição comportamental com a inteligência emocional:

No começo das aulas do curso de nutrição, a primeira pergunta que costumo fazer é:

“Por que você quer ser Nutricionista? Por que você está aqui hoje?

Tive a oportunidade de receber as mais variadas respostas e de certa forma a maioria gira em torno de um sentimento de compaixão pelo sofrimento dos outros, basicamente um desejo em querer ajudar alguém. Como você pode perceber, aí estão fortes elementos da inteligência emocional

O problema é que este sentimento vai aos poucos sendo deixado de lado e ganha lugar a formação técnica em si. O ensino superior tradicionalmente concentra-se em uma perspectiva segmentada e linear, dividida em tópicos e assuntos. E como se não bastasse, a base de conhecimento está em constante transformação, exigindo do aluno e futuro profissional o estudo e aprendizado vitalício. Dessa forma, embora a maioria dos estudantes inicie sua formação profissional com entusiasmo e atenção aos outros, é possível perceber que ao longo do curso existem desvios deste caminho. Para muitos pode ser frustrante o desafio em conciliar a própria felicidade, a responsabilidade social e a capacitação constante. E é aí que precisamos resgatar a tal inteligência emocional.

Mas o que é a inteligência emocional?

Quando falamos em inteligência emocional indicamos o conjunto de habilidades que nos levam a uma melhor compreensão dos nossos sentimentos e das outras pessoas. É a capacidade de identificação e reconhecimento dos significados e traduções das nossas emoções, suas relações, motivações e gerenciamento das mesmas. Portanto, se considerarmos a atuação de nutricionistas fica claro que quando possuem um nível suficiente de inteligência emocional estarão aptos para fornecer serviços de uma forma que melhore as demandas de seus clientes. E é justamente estas habilidades que a Nutrição Comportamental vem trazendo para os nutricionistas.

E então, como eu, nutricionista, posso aprimorar minha inteligência emocional?

Desenvolver sua inteligência emocional levará você a uma melhor atuação com a abordagem de nutrição comportamental. Se você é aluna do Instituto Nutrição Comportamental, é bem provável que você já tenha experimentado algumas das sugestões abaixo com seus pacientes. Mas aqui deixo a reflexão: você pratica com você mesmo?

– Práticas meditativas e de contemplação podem ser um primeiro passo. Como um músculo desenvolveremos a capacidade de observar com mais atenção nossas reações aos outros, fazendo assim um esforço para nos colocarmos no lugar da outra pessoa. Dessa forma criamos um compromisso em estarmos abertos às perspectivas e necessidades das pessoas;

– Dando sequência em nossas observações poderemos examinar como lidamos perante situações de estresse. Seja em ambiente familiar, profissional ou até mesmo na rua interagindo com a sociedade;

– Para toda ação existe uma reação, portanto devemos assumir a responsabilidade por nossos atos. E se irmos um pouco mais fundo podemos questionar como nossas ações afetarão outras pessoas antes mesmo de agirmos. Ao nos colocarmos no lugar dos outros saberemos e compreenderemos as consequências de nossas ações.

Como pode perceber, lidar com pacientes requer cuidado, que inicia com o autocuidado. E a inteligência emocional assim como a nutrição comportamental nos ensinam muito sobre presença, escuta e empatia.

E agora?

Tenho certeza que você já interagiu e trabalhou com muitas pessoas, assim como eu também sabe como é difícil lidarmos com outras pessoas e com as mudanças da vida. Ninguém está preparado para ser um bom ser humano, simplesmente vamos aprendendo ao longo do caminho através de tentativas e erros.

O interessante é que estudar a nutrição comportamental é uma ótima forma para essa mudança, pois ela envolve outras pessoas e naturalmente envolvem suas diferenças. Sejam diferenças de valores, de crenças, de gostos ou de maneiras, elas estão ali, conosco. Tudo isso nos leva ao treino da paciência, sobre como lidar com estresse, sobre a compreensão, a tentativa de ver o outro ser humano, a criação de novas perspectivas, e claro a compreensão das nossas limitações.

É com esse pensamento e sentimento que podemos seguir firmes em nosso trabalho, tentando ajudar as pessoas a se reconectarem com suas vidas através da conexão proporcionada pela inteligência emocional com a nutrição comportamental. Afinal, a alimentação não é um simples nutriente ou uma simples caloria. É empatia e conexão.

Fonte:

Especial por Por Eduardo Szpak – Nutricionista pelo Centro Universitário São Camilo, SP; mestre em Ciência dos Alimentos pela USP e formado em Mindful Eating-Conscious Living™️, com Jan Chozen Bays e Char Wilkins.

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