Comer Intuitivo científicas ou misticismo?

Você já se informou seriamente sobre o modelo Comer Intuitivo? Nós temos um capítulo que resume esta estratégia criada por nutricionistas americanas em nosso livro (1). Mesmo depois de mais de 25 anos de trajetória e mais  de 120 artigos sobre o tema, o modelo ainda é mal compreendido por muitos e começou a ser alvo má interpretações.

O uso do termo INTUITIVO aqui, nada tem de misticismo, e sim remete a uma sabedoria interna, com a qual nascemos, e que deveríamos exercitar ao longo da vida – com relação as sensações que nosso corpo emite em função de nossas necessidades, seja de comida, de sono, de descanso, etc.

O contrário do COMER INTUITIVO  é comer ditado por regras, da cultura das dietas restritivas, e até por profissionais; pois ninguém sabe melhor do que nós mesmos do que precisamos – embora é claro, possamos necessitar de ajuda e guia em muitos momentos (incluindo orientação nutricional quando temos dificuldades nesta área).

Uma das provocações de quem não estuda e nem entende o modelo é dizer que quem procura o mesmo visando perda de peso vai “morrer esperando”. É enviesado, mas correto, vai mesmo! Pois COMER INTUITIVO (assim como o mindful eating) não são destinados a perda de peso, isto é perverter a proposta.

Embora alguns trabalho encontrem menor Índice de Massa Corpórea (IMC) nos “comedores intuitivos” (2-5), isto é resultado de uma relação mais saudável com a comida e corpo, e não objetivo primeiro.

Como repetimos sempre: peso não é um comportamento! Daí a necessidade de se estudar mais o que de verdade são antecedentes e consequentes de comportamentos, e como isto é (de forma complexa) regulado.

Ainda sobre o modelo publicado por Tribole e Resch (6), embora ele seja descrito em 10 princípios, não se trata de um “método” para ser aplicado assim: sessão 1,2, 3 etc … em função disto é errôneo dizer que há contraindicações ao COMER INTUITIVO – o que é fruto novamente de falta de estudo e interpretação correta do modelo.

Embora, para alguns pacientes, não seja a melhor estratégia focar no comer guiado pela fome e saciedade quando isto esta muito alterado (quadros agudos de anorexia e transtorno da compulsão alimentar, por exemplo); nada impede de trabalhar com estes pacientes o “fazer as pazes com a comida” e “rejeitar a mentalidade de dieta” – princípios centrais do COMER INTUITIVO.

Por isto descrevemos na abordagem NUTRIÇÃO COMPORTAMENTAL, que ao abraçarmos vários modelos, teorias e estratégias, o objetivo é que o nutricionista tenha mais ferramentas e mais habilidades, para decidir COM QUAL paciente vai usar, e em QUAL MOMENTO. De forma totalmente individualizada, buscando o melhor para O paciente.

Novos estudos continuam sendo publicados sobre o modelo COMER INTUITIVO (7-11), que tem a sua escala validada para o Português (12), com aplicação com públicos diversos.

Aqueles que desejarem estudar o modelo de forma séria, a lista de referências deste texto está completa no Blog: ….

Aos nutricionistas que desejam trabalhar com uma abordagem “não-dieta” (como o COMER INTUITIVO é também descrito), e ajudar pacientes com uma relação conturbada com a comida – o que infelizmente é cada vez mais comum, este modelo é de GRANDE ajuda! Traz embasamento, reflexões e exercícios para ajudar as pessoas a reverem porque comem o que comem! O que é a pergunta central que guia o estudo e avaliação do comportamento alimentar.

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Referências:

1) Alvarenga MS, Figueiredo M. Comer intuitivo. IN: IN: Alvarenga MS, Figueiredo M, Timerman F, Antonaccio CMA. Nutrição Comportamental. 2° ed. São Paulo: Manole, 2019.

2) Madden CE, Leong SL, Gray A, Horwath CC. Eating in response to hunger and satiety signals is related to BMI in a nationwide sample of 1601 mid-age New Zealand women. Public Health Nutr 2012; 23:1-8.

3) Gast J, Nielson AC, Hunt A, Leiker JJ. Intuitive Eating: Associations with Physical Activity Motivation and BMI.  Am J Health Promotion 2014; 24.

4) Özkan, N., & Bilici, S. (2020). Are anthropometric measurements an indicator of intuitive and mindful eating?. Eating and Weight Disorders-Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity, 1-10.

5) Ruzanska, U. A., & Warschburger, P. (2019). Intuitive eating mediates the relationship between self-regulation and BMI-Results from a cross-sectional study in a community sample. Eating behaviors, 33, 23-29.

6) Tribole E, Resch E. Intuitive Eating – A revolutionary program that works. New York: St. Martin’s Griffin; 2012.

7) Smith JM, Serier KN, Belon KE, Sebastian RM, Smith JE. Evaluation of the relationships between dietary restraint, emotional eating, and intuitive eating moderated by sex. Appetite. 2020 Jul 30:104817.

8) Bijlholt, M., Van Uytsel, H., Ameye, L., Devlieger, R., & Bogaerts, A. (2020). Eating behaviors in relation to gestational weight gain and postpartum weight retention: A systematic review. Obesity Reviews.

9) Hazzard, V. M., Telke, S. E., Simone, M., Anderson, L. M., Larson, N. I., & Neumark-Sztainer, D. (2020). Intuitive eating longitudinally predicts better psychological health and lower use of disordered eating behaviors: findings from EAT 2010–2018. Eating and Weight Disorders-Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity, 1-8.

10) Wilson, R. E., Marshall, R. D., Murakami, J. M., & Latner, J. D. (2020). Brief non-dieting intervention increases intuitive eating and reduces dieting intention, body image dissatisfaction, and anti-fat attitudes: A randomized controlled trial. Appetite, 148, 104556.

11) Nogué, M., Nogué, E., Molinari, N., Macioce, V., Avignon, A., & Sultan, A. (2019). Intuitive eating is associated with weight loss after bariatric surgery in women. The American Journal of Clinical Nutrition, 110(1), 10-15.

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