Nutrição Comportamental

Razões para se exercitar com o exercício intuitivo

By 5 de agosto de 2020 setembro 3rd, 2020 No Comments

Não é de hoje que a Educação Física e a Nutrição caminham juntas. Recomendações gerais para a conquista de uma boa saúde são realizadas há milênios, tanto pelas culturas do Oriente quanto do Ocidente.

Vamos entender um pouco de exercício e história

De forma bem sucinta, pode-se dizer que no Oriente, o exemplo histórico está descrito no clássico livro de medicina do imperador amarelo, base da filosofia chinesa taoísta, que lista uma série de exercícios para favorecer a saúde e a longevidade, aliada a uma dieta balanceada que considerava as estações do ano, o horário de consumo, as propriedades e os sabores dos alimentos, para assim, tonificar os órgãos do corpo.

Na Índia, as filosofias das escolas Yoga também apresentaram uma série de recomendações de posturas envolvendo flexibilidade e força, que quando associados a uma respiração adequada e uma dieta equilibrada, ajudariam no controle da mente e das emoções.

Já no Ocidente, os relatos históricos de prescrição de dieta e exercício físico estão atribuídos a diferentes referências gregas, que são lembrados até hoje pela medicina ocidental.

Historiadores relatam que Heródico foi o primeiro médico a recomendar ginástica terapêutica como tratamento de doenças e manutenção da saúde. Este, por sua vez, teria sido fonte de inspiração para Hipócrates, considerado o pai da medicina preventiva, que também recomendava a prática de exercícios e cuidados com a alimentação.

Outro médico famoso, da Grécia Antiga, Galeno, que parece ter tido sua carreira influenciada por Hipócrates, aperfeiçoou a recomendação trazendo dados referente a intensidade do exercício. A Galeno é atribuída a recomendação de “praticar exercícios que alterem a respiração e que deleitem a alma”.

Por que fazer exercício?

Apesar da saúde e a longevidade serem os objetivos das recomendações gerais descritas nas histórias do Oriente e do Ocidente. Além da busca pela saúde, havia uma intenção de se aproximar de algo maior do que o trabalho meramente físico, que traria consequências fisiológicas.

A diferença parece que está no interesse do Oriente em se aproximar do divino para obter a iluminação, ou seja, um estado de clareza, sabedoria, e liberdade última que vem com o perfeito conhecimento da natureza da mente e do mundo dos fenômenos. Enquanto que no Ocidente, as orientações tinham como intenção educar o homem, com ensinamento éticos e morais para o desenvolvimento das “pólis” (cidades), o bem coletivo das relações em sociedade, que depois se derivaram como leis, na era greco-romana.

Saúde, longevidade, espiritualidade, ética, educação parecem que são as razões das bases históricas do que impulsionaram os nossos antepassados a buscarem orientações a respeito de alimentação e exercício. E nos tempos atuais? O que impulsiona o interesse por estes assuntos?

Vou me ater a falar do Ocidente, que é o lado do hemisfério que habito (e mesmo assim não tenho a pretensão de abranger nem uma pequena parcela do que existe deste lado do planeta).

Bom, o interesse pela saúde se mantém existindo, na era contemporânea, aumenta especificamente o interesse pelo campo das emoções, de como lidar com as sensações que emergem a partir do que penso e sinto, e que levam a uma ação, isto é, um comportamento, tem sido um assunto destacado nas pesquisas das Ciências da Saúde, uma vez que as doenças classificadas como mentais, estão crescendo e aflorando na população.

Problemas com ansiedade, depressão, alterações bruscas de humor, intolerância, impaciência, déficit de atenção, comer transtornado, autodepreciação e insatisfação corporal estão se tornado frequentes nas pessoas. Paralelo a todas essas questões do âmbito mental, as doenças metabólicas ou crônico-degenerativas, seguem também com suas prevalências em curso, algumas delas, são osteoporose, diabetes, hipertensão, cardiopatias, doenças renais crônicas, câncer entre outras.

Para todas essas patologias, sejam de ordem fisiológicas ou psicopatológicas, há evidências científicas que apontam benefícios da prática regular de exercício no tratamento e prevenção.

Mesmo com um grande número de pesquisas, e com milhares de informações sobre os benefícios do exercício na qualidade de vida, a maioria da população ainda é sedentária. Mesmo com benefícios concretos na saúde de maneira multidimensional, ou seja, nos aspectos físicos, mentais, emocionais, sociais, somente a informação que faz bem, não é suficiente para fazer as pessoas adotarem o comportamento ativo e um estilo de vida com maior nível de atividade física.

Enfim, praticar exercícios a fim de atingir uma saúde que vai além do bem-estar, e que traga o bem-ser e bem-viver, são razões dignas e possíveis de serem escolhidas como impulso para praticar uma atividade física, um exercício, um esporte, um passatempo ativo.

Essa reflexão sobre as razões que norteiam as motivações para se exercitar é o convite da abordagem Exercício Intuitivo.

O que é o exercício intuitivo?

Quais são os impulsos que levam as pessoas a se mexer, se exercitar, ou se movimentar mais? Toda ação acontece impulsionada por uma razão, e é essa a reflexão que a abordagem @exerciciointuitivo está interessada em compreender.

Ao observar pessoas que faziam exercícios físicos, mas que estavam sofrendo de doenças classificadas como psiquiátricas, foi possível notar que os pensamentos angustiantes sobre peso corporal, medo de engordar, medo de ficar doente, desejo de queimar as calorias, desejo de compensar o que “comeu errado”, objetivos obsessivos pela estética, preocupação sobre o quanto o músculo está crescendo ou quanto de gordura o corpo possui.

Todos esses pensamentos são exemplos que ilustram os “conteúdos mentais” que acompanhavam o momento de exercício de algumas dessas pessoas.

Neste sentido, além de zelarmos pela quantidade de atividade física que faz bem à saúde nestes pacientes, houve também o interesse em ajuda-los a fazer novas escolhas sobre os tipos de “conteúdos mentais”, ou melhor, de pensamentos que poderiam impulsionar esta prática.

Por onde começar a praticar o exercício intuitivo?

O primeiro passo foi ressignificar o conceito de saúde. A definição de saúde como bem-estar físico, mental e social não parece mais ser o suficiente para o nível de complexidade atingido pela nossa sociedade contemporânea. Se faz necessário então dissociar saúde de beleza, de estética e de corpo com muscularidade definida. Sendo assim, a busca por uma saúde multidimensional é a razão de se exercitar escolhida pela abordagem #exerciciointuitivo.

Saúde Multidimensional

Na dimensão do físico temos o corpo, nossos sistemas que funcionam de forma integrada e coesa para nos manter vivos. A dimensão mental nos permite pensar, raciocinar, planejar, organizar os pensamentos, as ideias, nos conscientizar, trabalhar, nos ocupar, e por aí vai. Já a dimensão emocional que constitui os sentimentos – alegria, tristeza, amor, raiva, medo, coragem enfim –leva a ter um corpo que pode se expressar e manejar emoções.

A dimensão social inclui os familiares, amigos, colegas, e até o que está no nosso entorno, as condições de moradia, do asfalto da rua, ciclofaixa, parques, a segurança do nosso bairro. E porque não: os animais de estimação? Eles também exercem impactos na nossa saúde.

Na dimensão espiritual já temos estudos que comprovam a ligação da fé e da religiosidade com a saúde. A confiança de que existe algo maior nutre a fé, que por sua vez auxilia muitos nos momentos de doença.

Podemos citar também a dimensão financeira. Pois sem dinheiro não se realiza muito, numa sociedade que está cada vez mais consumista e economicamente endividada. Ter problema nessa dimensão certamente afeta a saúde também.

E podemos olhar para mais dimensões ainda. O fato é que todas estão interligadas. Quando uma não está bem, as outras podem sofrer, talvez em graus diferentes. A depender de algumas características peculiares de cada ser humano, como resiliência e altruísmo, uma dimensão pode não interferir tanto na outra.

Basta vermos como exemplo, as pessoas que não tem saúde financeira, mas que tem saúde emocional, pois não perdem o bom-humor e o otimismo mesmo em situações precárias de moradia; ou ainda aquelas que estão muito bem de saúde financeira, mas não tem boa saúde mental. E tem também aqueles que estão cheios de saúde física (e financeira), porém sofrem com problemas de ordem emocional.

Então, como agir?

Enobrecer, resgatar valores éticos e humanos, reestabelecer uma conexão de harmonia com o seu corpo e, consequentemente, com o seu entorno podem ser razões para se exercitar.

Se exercitar para obter mais satisfação com a vida, ter mais entusiasmo no seu dia, revigorar-se das situações estressantes do trabalho, ter um momento mais alegre e gentil com você mesmo, são razões que podem levar você a se exercitar de forma mais engajada e duradoura porque seu exercício não será um momento de punição, e sim, um momento de autocuidado, integração e de atenção plena ao seu corpo.

Quer saber mais?

Se quiser saber, na prática, como vivenciar tudo isso, venha conhecer a abordagem do @exerciciointuitivo, inspirada na teoria do Comer Intuitivo, desenvolvida por Evelyn Tribole e Elyse Resche, que estimulam a prática de uma nutrição mais gentil, bem como uma prática de exercícios que faz a gente sentir na hora a diferença.

E assim, seguimos mais uma vez juntos, Nutrição e Educação física, horando a história de duas especialidades que podem se complementar muito, de forma ética e responsável, se profissionais genuinamente interessados se unirem para fazer a diferença na vida das pessoas.

Autoria:

Especial por Por Paula Costa Teixeira – Profissional de Educação Física, doutora Neurociências e Comportamento pela USP, e pós-graduação em Cuidados Integrativos pela UNIFESP. Idealizadora do Exercício Intuitivo Integrativo
@exerciciointuitivo

Referencias:

TEIXEIRA, P. C. Estratégias do exercício intuitivo na Nutrição Comportamental. In: ALVARENGA, M. S. et al. (Orgs.). Nutrição comportamental. 2a ed. Barueri: Manole, 2019. p. 505-523.

TRIBOLE, E.; RESCH, E. Intuitive eating: A revolutionary program that works. Fourth Edition. New York: ST. Martin’s Griffin, 2020. (primeira edição publicada em 1995).

Teixeira PC, Portella CG. Transtornos alimentares e atividade física. In: ALVARENGA, M. S. et al. (Orgs.). Transtornos alimentares e nutrição: da prevenção ao tratamento. Barueri: Manole; 2020. p. 263-292.

FONTES SV. Cuidados integrativos: interface entre Saúde Transdimensional e Educação Transdisciplinar Monografia (Especialização em Teorias e Técnicas para Cuidados Integrativos). Departamento de Neurologia e Neurocirurgia, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2009.

Matthieu, R. Felicidade: a prática do bem-estar. São Paulo: Palas Athena, 2007.
U.S. Department of Health and Human Services. Physical Activity and Health: A Report of the Surgeon General. Atlanta, GA: U.S. Department of Health and Human Services, Centers for Disease Control and Prevention, National Center for Chronic Disease Prevention and Health Promotion, 1996.

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