Você já ouviu falar sobre Racionalidade nutricional E sobre a relação desse conceito com a medicalização da sociedade?
O conceito de racionalidade nutricional, proposto por Viana et al (2017) se refere às práticas alimentares constantemente atentas ao equilíbrio de nutrientes, em detrimento do prazer de comer e dos valores com que a alimentação marca o convívio social a ele associado. Tais práticas alimentares sinalizam preocupações centradas no “consumo racional de alimentos” e com a “alimentação balanceada”. Desta forma o valor nutricional do alimento e a saúde (numa concepção ausência de doença) acabam mais valorizados, e se diminui os aspectos socioculturais da comida e da comensalidade.
Embora é claro, temos que nos pautar pela ciência, a racionalidade nutricional acaba tendo relação com o processo de medicalização da sociedade, com a ideia de que comer bem é comer de acordo com recomendações científicas – deixando de lado toda complexidade da alimentação, desde os valores mais subjetivos até as questões sociais.
Este olhar é equivocado porque pode levar a alimentação – e consequentemente a saúde – à condição de mera mercadoria e não de bem-estar de forma ampla. Se focado apenas na medicalização, o papel do nutricionista fica restrito apenas à prescrição dietética baseada exclusivamente em característica nutricionais – e deixa de lado toda multidimensionalidade do ato de se alimentar. E este modelo restritivo das intervenções no campo da alimentação é colocado pelos autores como como um processo de racionalização e medicalização da dieta.

Defendemos sempre como Instituto Nutrição Comportamental, em consonância com os autores, que comer é uma função humana extremamente complexa, e um ato que resulta da história pessoal de cada um. O comer é repleto de significados e precisamos nos atentar a isto todo tempo se queremos uma nutrição mais gentil e humanizada.

Referência:
Viana, Marcia Regina, et al. “A racionalidade nutricional e sua influência na medicalização da comida no Brasil.” Ciência & Saúde Coletiva 22 (2017): 447-456.

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